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Como aumentar o seu conhecimento de forma eficiente?

Por Cesar Eduardo da Silva / LEARN LTDA

Esta é uma questão chave para muitos estudantes e, infelizmente, ainda, para alguns profissionais também. Uso o termo “infelizmente” porque para profissionais a busca por conhecimento deveria ser ainda mais intensa do que para os estudantes.

O Efeito “Rainha Vermelha”

Desnecessário argumentar, e muitos já devem até ter sentido na pele, que um diploma universitário tem um prazo de validade de no máximo 5 anos, se é que ainda está chegando a tanto. Parece até que estamos sentindo o “Efeito Rainha Vermelha”, um personagem fictício do autor Lewis Carroll (que escreveu Alice no País das Maravilhas). Em certo momento do livro Alice do Outro Lado do Espelho, a personagem, em uma corrida desesperada, percebe ao olhar para os lados que as árvores não se movem enquanto ela foge da Rainha Vermelha, até que em certo momento, exausta, ela pára ao lado da mesma árvore que viu o tempo todo durante sua corrida. Então a Rainha Vermelha fala que no país onde elas se encontram, se você correr rápido, consegue apenas ficar no mesmo lugar, e, se quiser realmente sair do lugar, deveria correr no mínimo duas vezes mais rápido do que seu máximo. No mínimo uma comparação interessante entre nossa realidade atual e um livro escrito em 1871.

Perceba que este não é apenas um fenômeno criado pela humanidade na era da internet, indústria 4.0, etc. É um fenômeno da natureza, que, se prestarmos atenção ao longo prazo, está acelerando a evolução. O nosso sistema solar surgiu “apenas” 8 bilhões de anos após o Big Bang. As primeiras células, as procariontes, surgiram em torno de 3,5 bilhões de anos atrás. Os primeiros vertebrados (ostracodermos, uma espécie de lampreia) surgem 0,5 bilhões de anos atrás. E nossa espécie há apenas 0,00035 bilhões de anos (350.000 anos). A internet surgiu em 1989 e o smartphone há 12 anos. Não parece que a evolução está acelerando?

O próprio ritmo da mudança está acelerando, como observado por Peter Russell em seu livro O Buraco Branco no Tempo (1992).

O que nos resta a fazer como profissionais é, para acompanhar a evolução em aceleração, entender como adquirir conhecimento eficiente em menos tempo. E aqui não me refiro a informação, dados, ou outros textos que se encontram a um clique no Google, refiro-me a conhecimento prático e útil. Tenho um artigo escrito sobre o raciocínio crítico, (https://www.linkedin.com/pulse/ind%C3%BAstria-40-com-pessoas-04-epis%C3%B3dio-racioc%C3%ADnio-cr%C3%ADtico-silva/), que vejo como uma das formas de impulsionar o ganho de conhecimento. O raciocínio crítico é uma habilidade que o profissional pode ou deve ir desenvolvendo ao longo do tempo e que traz inúmeros benefícios para quem faz uso do mesmo, seja na solução de um problema, seja nos questionamentos que faz para o direcionamento de sua carreira, seja nos conselhos que ouve e nas vozes que ignora.

A crítica que faço ao raciocínio crítico usado de forma simplista, apenas no formato de fazer perguntas, é que somente as perguntas não guiam; logicamente, fazer perguntas já é muito melhor do que ser viciado em respostas. O raciocínio crítico deve ser guiado pelo método científico e este sim consegue guiar o turbilhão de perguntas geradas pelo pensador crítico para uma resolução em comum.

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Ele ficou adormecido durante a idade média, porém retornou com Galileu Galilei, Francis Bacon e outros. Não com força total ainda, mas aos poucos ele vem ganhando força, ainda que frequentemente abalado por fake news em algumas redes sociais.

Este método é frequentemente usado pelos bons jornalistas ao analisar uma notícia quando verificam sua fonte, neutralidade, isenção de viés de confirmação, independência. Da mesma forma, os bons profissionais na indústria ou comércio. Há uma reclamação de um cliente sobre seu produto? Verifique a fonte, traga o suposto produto defeituoso para ser analisado. Após uma análise investigativa, considerando que o defeito pode ter sido causado por problemas na fabricação ou mau uso do cliente, ou até mesmo em manuseio/transporte, deve-se dar a tratativa adequada considerando os produtos já vendidos, os que estão em produção e como fazer para o que defeito não se repita em produtos novos.

Vejamos um exemplo real do raciocínio crítico (ou a falta dele) em atuação

No verão de 1999, quarenta e duas crianças na cidade de Bornem adoeceram misteriosamente após beberem Coca-Cola comprada na cantina da sua escola. Todas foram hospitalizadas e logo haviam casos idênticos em várias escolas públicas em várias cidades da Bélgica. Fato: A Coca-Cola daquele lote tinha um leve cheiro “estranho” e a investigação apontou que, na fábrica, um lote de dióxido de carbono contaminado foi usado para carbonar a bebida. Haviam compostos sulfúricos na concentração de até dezessete partes por bilhão no refrigerante, o que causava o mau cheiro, não a doença.

Para começar a causar algum tipo de intoxicação alimentar, a concentração de compostos sulfúricos deve ser mil vezes maior do que a encontrada no refrigerante, mas mesmo assim a Coca-Cola fez o maior recolhimento de produtos da sua história. Em uma investigação posterior com as mais de cem crianças internadas nos diversos hospitais, constatou-se que quase metade delas sequer havia tomado o refrigerante. Então, o que causou a intoxicação de tantas crianças naquela data? Histeria coletiva?

Neste caso, até que o raciocínio crítico entrasse em cena, desvendando que o cheiro vinha de uma ínfima quantidade de compostos sulfúricos e que isto não causaria nenhuma intoxicação, cem crianças estavam supostamente “doentes”, por causa de uma dedução apressada feita com poucos dados: “Se você está se sentindo mal e lanchou na escola, fique internada em observação, e quase certamente a Coca-Cola foi a causa”. Se alguém levantou outra hipótese que não fosse a Coca-Cola, não foi ouvido, pois a evidência até aquele momento era inegável: O cheiro da Coca-Cola estava diferente do normal e isto a “incriminava”. Veredicto: Culpada.

Com poucos dados ou informações, é fácil errar. Usemos mais o raciocínio crítico aliado ao método científico para tentarmos chegar mais próximos do que chamamos de realidade.

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